quarta-feira, 25 de novembro de 2009 
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Repasses incômodos

Direto de Brasília :: Klécio Santos
Na ausência de um discurso palatável ao eleitorado, a oposição encontrou na CPI do MST uma forma de fustigar o governo. Não foi difícil buscar respaldo entre os parlamentares. As ações violentas dos sem-terra contribuíram para que o pedido da CPI, já moribundo nos escaninhos do Congresso, ressurgisse com força.

O Planalto havia desidratado uma tentativa de se investigar o MST há duas semanas, quando obrigou integrantes da base governista a retirar 42 assinaturas. O vandalismo do movimento, com a destruição de laranjais no interior paulista, contudo, levou até mesmo o presidente Lula a recriminar seus aliados da lona preta.

A estratégia do DEM, principal avalista da CPI, é uma só: mostrar que recursos federais irrigam os atos clandestinos da organização. De acordo com um levantamento da ONG contas abertas, quase R$ 160 milhões foram repassados pelo governo Lula para entidades vinculadas ao MST. O difícil será fazer a investigação avançar. Como o governo tem maioria, controla o rumo de qualquer CPI. Basta ver a paralisia imposta à comissão criada em maio para apurar escândalos na Petrobras, até hoje esvaziada.

Para o DEM, contudo, resta o consolo de agradar um setor cada vez mais insatisfeito com o governo, o do PIB do agronegócio. Lula, porém, não está nem um pouco preocupado. Enquanto a oposição tentava evitar uma nova debandada dos governistas, o presidente engraxava o bigode em um churrasco no Palácio da Alvorada, no qual acertou com a cúpula do PMDB a aliança em torno da candidatura de Dilma Rousseff.
Jornal Zero Hora
21/10/2009

  21/10/2009
       
     
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