sábado, 1 de abril de 2006 
 
 
Exército enaltece em seu site golpe de 1964
 

Evocações ao 31 de março de 1964 se repetem. A de ontem, assinada pelo general Francisco de Albuquerque, não foi à primeira. Outras manifestações também tiveram ampla repercussão, como a nota divulgada pelo Exército, em 2004, que ocasionou a demissão do ex-ministro da Defesa, o embaixador José Viegas.

Na realidade esses pensamentos ultrapassados continuam presentes em segmentos das Forças Armadas. Tanto é que a página do Exército Brasileiro na Internet(www.exercito.gov.br) externa uma interpretação rançosa dos antecedentes e dos fatos relativos ao golpe militar de 1964.

Na "Sinopse Histórica", a seção "A HISTÓRIA QUE PRECISA VIRAR HISTÓRIA", aborda "Antecedentes e Revolução Democrática de 1964". A narrativa pretende, claramente, fazer perdurar a "versão dos vitoriosos", absolutamente incompatível com o atual momento que vivemos em nosso País. Veja a seguir trecho divulgado pelo Exército.

"O epílogo dessa situação ocorreria a 31 de março de 1964, quando tropas da 4a Região Militar, apoiadas pelo Governo de Minas Gerais, rebelaram-se. O dispositivo militar que dava sustentação ao governo federal desmoronou, em virtude da adesão majoritária das Forças Armadas ao movimento. Não ocorreu derramamento de sangue, sinal de que havia perfeita sintonia entre elas e a Nação.

Vitoriosas, as tropas revolucionárias foram recebidas com aplausos pela população, que saudava a volta do País à normalidade.

Eufórico, o povo vibrou nas ruas com a prevalência da democracia, restabelecida com a vitória do movimento de março de 1964.

Os recentes fatos da História contemporânea demonstram que o povo brasileiro estava certo quando, na década de 60, optou pela democracia."

Para visualizar todo o conteúdo clique aqui.

Paralelamente, qualquer internauta poderá encontrar no site do Exército outros textos com manifestações autoritárias, rancorosas e até revanchistas sobre os antecedentes e os fatos ocorridos em 1964.

· A história que não se apaga nem se reescreve.

· A história oficial de 1964.

Em 27 de outubro de 2004, o presidente do Contas Abertas, Augusto Carvalho, encaminhou correspondência ao Presidente da República, à Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, bem como à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, com o intuito de propiciar uma ampla reflexão sobre a concepção do Exército Brasileiro em relação aos fatos ocorridos em 1964. No texto, Augusto Carvalho, mencionou:

"Receio que enquanto persistirem esses discursos arcaicos e essas convicções, persistirão opiniões absurdas tais quais aquelas contidas na recente nota divulgada pelo Centro de Comunicação Social do Exército, a qual acarretou a demissão do Ministro da Defesa. O Exército brasileiro, na minha opinião, é pilar de quaisquer projetos futuros de Brasil. Urge, porém, que tenha uma visão institucional e conciliatória sobre os fatos ocorridos nas últimas décadas, em consonância com o pensamento da sociedade democrática brasileira".

Vale ressaltar que após esta iniciativa alguns textos com manifestações ainda mais descabidas foram suprimidos do site do Exército.

Assim sendo, o "Contas Abertas" propõe a realização de uma Audiência Pública na Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, da qual participariam as entidades civis relacionadas aos Direitos Humanos, como a CNBB, o grupo "Tortura Nunca Mais", a "Transparência Brasil" e outras associações que desejem debater os conceitos arbitrários que ainda emanam de alguns segmentos das Forças Armadas. Nesta ocasião seria discutida uma ampla revisão conceitual em relação à própria história das Forças Armadas em nosso País.

Da Redação do Contas Abertas

  1/4/2006
       
     
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