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PAC: R$ 3,3 bilhões de empenhos apenas em dezembro
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Os recursos desembolsados com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) este
ano já são R$ 3,4 bilhões (46%) superiores ao montante aplicado em todo o ano
passado. Apenas no mês de dezembro, até o dia 22, o governo federal pagou R$ 1,2
bilhão e reservou em orçamento outros R$ 3,3 bilhões para as obras de
infra-estrutura no país. A quantia empenhada em dezembro, que vai garantir
recursos para as obras no futuro, é 329% superior ao valor comprometido no mês
anterior, novembro (Clique para ver PAC
2007 e PAC 2008).
Isto
quer dizer que, durante este mês, por dia, a administração federal emitiu
empenhos de aproximadamente R$ 222,6 milhões. Para se ter uma idéia da dimensão
dos recursos envolvidos, vale lembrar que em novembro, o valor médio diário de
empenhos emitidos pelo governo foi de R$ 38,8 milhões. A respeito das aplicações
efetivas de recursos, entre os dias 10 e 22 deste mês, o que representa o
período de sete dias úteis, foram desembolsados R$ 806,6 milhões, o equivalente
a um gasto médio diário de R$ 115,2 milhões.
Em 2007, os empenhos chegaram a R$ 16 bilhões, o que
correspondeu a 97% dos recursos programados para o ano. Já os valores
desembolsados ficaram em 44%, ou R$ 7,3 bilhões de recursos. Apenas no mês de
dezembro do ano passado, foram empenhados R$ 6 bilhões, 37% do total de recursos
reservados em 2007.
Apesar da notável evolução dos gastos, bem como dos
compromissos orçamentários, até o dia 22 de dezembro, o PAC só havia
desembolsado 60% dos recursos previstos em orçamento para 2008. Dos R$ 17,9
bilhões que integram o pacote econômico este ano, foram gastos R$ 10,7 bilhões.
Desta forma, se considerada a execução linear, o governo federal terá aplicado
até o dia 31 deste mês cerca de R$ 11,1 bilhões, atingindo o patamar de 62%
executado.
Já no que tange aos empenhos, o volume de recursos reservados
em orçamento para obras e aquisição de bens chega a 81% dos recursos previstos
para o ano, atingindo o montante de R$ 14,5 bilhões. Considerando a emissão
também linear dos empenhos, ao final do ano, devem ser comprometidos R$ 15,1
bilhões, o que garante uma execução de 84% sobre o montante destinado ao
programa este ano.
No entanto, historicamente a execução do orçamento
nos últimos dias do ano é atípica, isto é, extremamente acelerada, sobretudo no
que diz respeito aos empenhos. Existe, portanto, a expectativa de que os
empenhos ultrapassem os 90%, como ocorreu em 2007. Mas isso só poderá ser
confirmado nos próximos dias.
Mas para o economista Evilásio Salvador,
assessor de Política Fiscal e Orçamentária do Instituto de Estudos
Socioeconômicos (Inesc), é possível que muitos investimentos, mesmo aqueles com
recursos garantidos por meio dos empenhos emitidos, não saiam do papel. “Tem que
acompanhar se de fato o valor empenhado será liquidado [reconhecimento por parte
da União que o serviço foi prestado], pois podemos ter muito empenho e pouca
execução”, avalia.
Evilásio Salvador ressalta ainda que apesar do
crescimento de investimentos no país, eles ainda estão aquém dos padrões
internacionais e da necessidade de crescimento do Brasil, que representam,
segundo ele, menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). A principal explicação
para o fato, na opinião do economista são as elevadas despesas com pagamentos de
juros no orçamento público brasileiro, em torno de 7,5% do PIB. “Isso compromete
a capacidade de ampliação dos investimentos públicos e de elevação dos gastos
sociais”, atesta.
Já o economista e professor da Universidade de Brasília
(UnB) Vander Lucas pondera que o PAC é, depois de quase 50 anos, um planejamento
de investimento público decorrente da junção de propostas de investimentos já
existentes, principalmente das estatais, mas que não eram coordenadas. “Com a
ousadia do seu anúncio, gerou-se muito barulho, principalmente entre os setores
políticos federal, estadual e municipal quanto à localização de algumas obras
propostas. Caso sejam executados, alguns dos vários projetos que constam no PAC
serão de grande valia para o setor produtivo brasileiro”, afirma.
E
apesar das incertezas que pairam nas economias do mundo inteiro, aqui no Brasil
uma coisa é certa: o governo vai tentar de todas as formas preservar os
investimentos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, porém, já reconheceu que o
país pode sofrer desaceleração no 1º semestre de 2009, mas que no 2º semestre a
economia vai voltar a acender, aquecida pelos investimentos. Todavia, não é
tarefa pequena fazer o PAC deslanchar em 2009, pois, a partir do dia 1º de
janeiro, a União, as estatais e o setor privado terão 730 dias até o tempo de
vida do PAC expirar para investir o restante dos R$ 538 bilhões do pacote
econômico.
Balanço Geral
Desde o lançamento do
programa de investimentos no começo do ano passado, pouco mais de R$ 18 bilhões
já foram desembolsados pelo governo federal com as obras do PAC até o dia 22
deste mês, incluindo os restos a pagar (dívidas de anos anteriores pagas em
exercícios seguintes). A soma da verba autorizada nos orçamentos de 2007 e 2008
é de R$ 34,6 bilhões. Com isso, até agora foram executados 52% dos recursos
previstos para os projetos e atividades do PAC tocados pelo governo
federal.
É importante ressaltar que os valores citados referem-se apenas
ao PAC Orçamentário, ou seja, aquele cujas obras podem ser acompanhadas no
Orçamento Geral da União por meio do Siafi (Sistema Integrado de Administração
Financeira). Os investimentos privados e das empresas estatais não são
contabilizados no sistema de receitas e despesas da União. Dos R$ 503,9 bilhões
previstos para serem investidos em infra-estrutura entre 2007 e 2010, apenas R$
67,8 bilhões fazem parte do Orçamento Geral da União (OGU), passíveis de
monitoramento. Assim, o orçamento anual do PAC tocado pela União é, em média, de
R$ 17 bilhões por ano.
Segundo o último balanço do PAC, divulgado em
outubro, 83% das ações da principal política de infra-estrutura do governo
federal estão em ritmo adequado, 5% indicam situação de atenção e que apenas 1%
é preocupante. Desde o início do PAC até setembro, foram concluídas 190 ações, o
que configura 9% do total de obras. Foram finalizados 86 projetos de logística,
103 de energia e um na área social-urbana. Segundo o comitê, 59% das ações estão
em obras, 20% em licitação e 12% em situação de projeto ou licenciamento.
Ranking dos Ministérios
Em
todos os meses, se comparados a igual período de 2007, o crescimento no volume
de recursos aplicados é superior a 50% - a exceção de outubro por conta das
greves da Caixa Econômica Federal e do Departamento Nacional de Infra-Estrutura
de Transportes. Em setembro, por exemplo, o crescimento nas aplicações chegou a
178%.
Os ministérios dos Transportes e das Cidades são os principais
impulsionadores do PAC. Juntos, estes ministérios concentram quase 50% do total
aplicado com as obras do programa. Dos R$ 10,7 bilhões desembolsados até o
último dia 22, R$ 8,5 bilhões foram conduzidos pelas pastas dos Transportes e
das Cidades (veja
tabela).
O Ministério dos Transportes desembolsou, até o dia 22 deste
mês, R$ 4,9 bilhões, o equivalente a 38% do orçamento do PAC. Já o Ministério
das Cidades aplicou R$ 3,6 bilhões, atingindo a representatividade de 20% sobre
os recursos previstos para o ano.
Os ministérios da Agricultura, Ciência
e Tecnologia e Desenvolvimento Agrário, por sua vez, estão na outra ponta.
Respectivamente, as pastas são responsáveis por 0,01%, 0,02% e 0,02% do
orçamento do PAC. Juntos, os órgãos foram aplicaram R$ 10,1 milhões de
recursos.
A obra que recebeu mais recursos foi a construção da ferrovia
Norte-Sul no estado do Tocantins. Até o dia 10 deste mês, o projeto contou com
R$ 481,2 milhões desembolsados. A construção do Rodoanel, trecho no estado de
São Paulo, também recebeu recursos volumosos da ordem de R$ 274,1
milhões.
Amanda Costa Do Contas Abertas
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29/12/2008 |
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