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PAC fora do superávit “esconde realidade debaixo do tapete”, diz Velloso
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Um dos principais embates entre governo e oposição para a aprovação da Lei
de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2010 foi sobre a exclusão do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) do cálculo do superávit primário (receitas menos
despesas excluindo os juros). Ao excluir o programa do cálculo do superávit,
inclusive no que diz respeito aos chamados “restos a pagar” de anos anteriores
(despesas que foram contratadas nos orçamentos anuais, mas não foram pagas nos
mesmos exercícios), o governo não precisará economizar nas obras do PAC para
juntar o montante necessário ao pagamento dos juros. No entanto, para o
economista Raul Velloso, que já foi secretário adjunto de assuntos econômicos do
Ministério do Planejamento, excluir o PAC do cálculo do superávit primário para
aumentar os investimentos é apenas um "subterfúgio para a economia brasileira
que não deverá ser bem aceito pelos mercados".
Segundo ele, os compradores de títulos públicos, por
exemplo, ficam preocupados com decisões como essa, pois o governo “esconde uma
realidade debaixo do tapete”. “Acredito que o mercado deverá exigir que o
Banco Central divulgue dois balanços do superávit primário: um com o PAC e outro
sem. Não adianta excluir”, afirmou. De acordo com Velloso, o que o governo
poderia e pode fazer é diminuir os gastos correntes da máquina administrativa,
que vêm crescendo ao longo dos últimos anos.
Com a aprovação da LDO,
cerca de R$ 22 bilhões que ajudariam na composição do superávit no ano que
vem serão destinados ao programa. “O que queríamos era votar a LDO e salvar o
PAC. O objetivo foi alcançado”, disse o deputado Gilmar Machado (PT-MG), líder
do governo na Comissão de Orçamento. O superávit primário será obtido
comprimindo-se investimentos e despesas de custeio em outras áreas que não
estejam diretamente ligadas ao PAC. Assim, os investimentos no principal
programa de infraestrutura do governo não estarão sujeitos a contingenciamento
para compor as metas do superávit, ao contrário de outros setores, que terão um
ajuste maior nas contas.
Os investimentos da Petrobras, a principal
estatal na realização de obras do PAC, também foram excluídos do cálculo do
superávit primário. A empresa era obrigada a cumprir a meta de superávit das
estatais (0,2% do PIB). Com isso, o governo terá flexibilidade financeira, sem a
preocupação de ter que economizar, para pagar os projetos do programa tanto no
aspecto orçamentário (obras previstas no Orçamento Geral da União) como no
âmbito da estatal.
A justificativa técnica para a adoção dessas medidas
foi a de criar mecanismos capazes de incrementar a realização de investimentos
públicos, em caso de encolhimento mais profundo do nível da demanda privada. O
objetivo é fazer com que os investimentos governamentais cresçam para tentar
minimizar os efeitos da crise econômica global. A ideia também pode fazer com
que os investimentos privados também aumentem, acompanhando o ritmo das
aplicações públicas.
Sob o ponto de vista político, o governo poderá
incrementar as obras do PAC, carro-chefe da eventual candidatura da ministra
Dilma à Presidência da República, logo no ano da eleição. Por isso, os
governistas comemoraram no Congresso. Já a oposição festejou de forma comedida,
ao impedir a execução dos investimentos da União e das estatais até que o
orçamento de 2010 seja aprovado, o que já vinha acontecendo em anos anteriores.
No entanto, para o governo, este impedimento poderá ser irrelevante, mesmo no
caso da demora da aprovação do orçamento de 2010, pois poderá gastar livremente
os volumosos “restos a pagar”, que provavelmente existirão no final de 2009.
Leandro Kleber Do Contas Abertas
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17/7/2009 |
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