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Orçamento 2010 lista 42 obras irregularidades; 8 do PAC
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Na proposta orçamentária para 2010, encaminhada pelo Executivo ao Congresso
Nacional no final de agosto, estão listadas 42 obras públicas com indicativo de
irregularidade grave. Oito fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), número que representa 19% do total de empreendimentos com suspeita de
anormalidade. Sobrepreço, superfaturamento, irregularidades no processo
licitatório, projetos básicos deficientes ou inexistentes são as principais
infrações identificadas nos empreendimentos. No projeto de lei orçamentária para
2009, também enviado pelo governo ao Legislativo, existiam 56 projetos
irregulares previstos, sendo 20 do PAC. Significa que a incidência de obras com
possibilidade de causar danos aos cofres públicos caiu 25%, e a ocorrência de
incorreções em obras do PAC teve queda de 60%.
A classificação é feita
pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que faz o acompanhamento técnico das
obras públicas em parceria com o Congresso Nacional. O monitoramento dos gastos
sobre as obras públicas é uma determinação da Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO).
Os projetos no setor de transportes e
recursos hídricos são os que apresentaram os maiores indícios de irregularidade
no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2010; 57% do total. Em números
absolutos, o Ministério dos Transportes, com 13 obras, e o Ministério da
Integração Nacional, com 11, foram os órgãos com o maior número de
irregularidades registradas em projetos.
Além deles, entram na conta de
executores de obras com anomalias nove ministérios e a Justiça Federal. São
responsáveis por projetos com possíveis irregularidades as pastas da Educação
(2), Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (1), Minas e Energia (3)
Saúde (2), Meio Ambiente (2), Desenvolvimento Agrário (2), Esporte (1), Defesa
(1), Cidades (3) e Justiça Federal (1).
Entre as unidades da federação,
os estados com o maior número de obras com problemas são o Espírito Santo e
Minas Gerais. Em ambos há suspeitas de hibridez em cinco empreendimentos entre
exclusivos e regionais. Apenas em projetos particulares, àqueles que beneficiam
somente a um estado, o Espírito Santo apresenta quatro obras irregulares e Minas
três.
As obras com indícios de irregularidades graves podem ter seus
recursos bloqueados no orçamento do próximo ano caso seja comprovada a
potencialidade de prejuízos ao erário ou a terceiros e seja configurado grave
desvio. Por outro lado, a proposta orçamentária permite a continuação da
execução física, orçamentária e financeira dos serviços em que foram
identificados os indícios, desde que sejam adotadas medidas saneadoras pelos
órgãos responsáveis e haja garantias da cobertura integral dos potenciais
prejuízos à máquina pública. A programação das obras está sujeita, no entanto, à
prévia deliberação da Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional.
Procurado pelo Contas Abertas, o
consultor de orçamento da Câmara dos Deputados Homero de Souza Júnior, que
integra a CMO, explicou que o Congresso iniciou no ano passado a experiência de
convidar os envolvidos na realização de obras com suposição de irregularidades
graves para explicar porque a referida obra deveria continuar sendo executada.
“Esse é um mecanismo que traz a sociedade para participar do debate. Nós o
incluímos na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2010. Assim, os envolvidos nos
projetos podem falar sobre a importância dos trabalhos e argumentar porque eles
não devem ser paralisados”, diz.
Com a possibilidade de paralisação dos
empreendimentos, as empresas e demais fiscalizados buscam sanear as
irregularidades apontadas pelo TCU, em vez de contestar os questionamentos até
as últimas instâncias processuais para adiar a deliberação definitiva;
procedimento outrora trivial. Umas das preocupações que pautam a discussão sobre
as obras com indícios de irregularidades é a tendência que essas têm de se
tornarem obras inacabadas, ou seja, sendo iniciadas com o intuito de não serem
concluídas.
Algumas obras fazem parte da lista de irregulares há mais de
três anos. É o caso da implantação da Escola Agrotécnica Federal de Nova
Andradina, em Mato Grosso do Sul, sob responsabilidade do Ministério da
Educação. De acordo com o relatório do Comitê de Obras Irregulares do Congresso
que analisou a PLOA de 2009, ainda no ano passado, a irregularidade apurada pelo
TCU diz respeito ao não recebimento, pela União, da doação feita pelo município
de Nova Andradina da área destinada à implantação da escola, uma vez que o
terreno seria doado diretamente à escola. Na proposta orçamentária para o ano
que vem, a obra ainda permanece no rol de obras irregulares.
Outro
projeto cuja irregularidade permanece há mais de três anos é a construção de
trechos rodoviários na BR-342, no estado do Espírito Santo, e entroncamento da
BR-101 na divisa com Minas Gerais. Uma auditoria realizada pelo TCU no ano
passado apontou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte
(DNIT), vinculado ao Ministério dos Transportes, estava em fase de conclusão do
processo de seleção de empresa especializada para execução dos serviços de
elaboração de “Projeto Executivo de Engenharia de Implantação e Pavimentação de
Rodovias Rurais” e elaboração de estudo geotécnico. Mas, na proposta para 2010,
a irregularidade ainda não foi saneada.
A construção da ponte sobre o Rio
Madeira, em Porto Velho, Rondônia, que faz parte do PAC, também integra a lista
de obras irregulares há mais de três anos. Segundo auditoria feita ainda em
2008, o erro havia sido parcialmente saneado. O encaminhamento técnico rejeitou
a liquidação da despesa. O processo ainda não havia sido apreciado pelo tribunal
e ainda permanece no rol das obras com indicativo de
anormalidades.
Irregularidades no PAC
As obras
irregulares do PAC estão presentes, essencialmente, nos setores hídricos e
rodoviários, além de estarem também em projetos em refinaria, aeroporto e
construção de instituto de educação. De acordo com o Siafi, sistema que registra
receitas e despesas da União, considerando apenas a metade (4) dos
empreendimentos do PAC apontados como irregulares, os recursos repassados este
ano aos projetos chegaram a R$ 167 milhões. A cifra representa 44% do total
orçado para estas obras no orçamento de 2009, avaliado em R$ 383,6 milhões.
Homero de Souza Júnior reconhece que, em um universo
com mais de 3 mil obras executadas com recursos federais, 42 com indícios de
irregularidades graves ou oito do PAC representam uma quantia ínfima. “Listando
esses projetos, o governo enfraquece o discurso de que há muitos entraves em
obras. A esperança do governo é que os problemas ligados a esses projetos com
suspeitas se resolvam ao longo do exercício”, observa. No entanto, o consultor
questiona: “por que, sabendo do que se tratam as irregularidades das obras, os
problemas há anos conhecidos não são corrigidos?”.
Apesar de serem oito
projetos do PAC com indicativo de anormalidade grave, apenas quatro obras
irregulares têm execução passível de acompanhamento no Siafi. Destas, o maior
valor pago este ano foi destinado à construção do Instituto Federal de Educação
e Tecnologia de São Paulo, no Campus de Votuporanga. Trata-se de uma obra com
objetivo de expandir a rede federal de educação profissional e tecnológica
nacional, sob responsabilidade do Ministério da Educação.
O projeto prevê
cursos tecnológicos como informática, construção civil, eletro-mecânica;
automação, equipamentos eletrônicos, além de suporte para a área de pesquisa,
pós-graduação e licenciatura. Em segundo lugar aparece a restauração da BR-364,
em Rondônia. Foram aplicados na execução da obra, este ano, R$ 10,9 milhões, 17%
do total orçado em R$ 62,8 milhões.
No ano passado, segundo relatório do
Comitê de Avaliação das Informações sobre Obras e Serviços com Indícios de
Irregularidades Graves (COI), no período de março a agosto de 2008, foram
realizadas 153 fiscalizações in loco em obras públicas de todas as unidades da
federação, não apenas do PAC, com a mobilização de mais de 200 auditores,
envolvendo recursos da ordem de R$ 26 bilhões.
No final deste mês,
segundo o Tribunal de Contas da União, o órgão deve encaminhar, ao Congresso
Nacional, informações recentes sobre a situação das obras com irregularidades
graves contempladas na proposta orçamentária encaminhada pelo Poder Executivo ao
Congresso.
Amanda Costa e Leandro Kleber Do Contas Abertas
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14/9/2009 |
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