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PAC orçamentário: governo investiu metade dos recursos previstos
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Apesar do anúncio na última semana de que o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) já recebeu, desde o seu lançamento em janeiro de 2007,
investimentos da ordem de R$ 338 bilhões (53% do total previsto), a parte
específica proveniente de recursos do orçamento federal acelera de forma
ligeiramente mais lenta. Dos R$ 57,5 bilhões previstos no Orçamento Geral da
União (OGU) para obras do programa no período 2007-2009, pouco mais de R$ 28
bilhões foram efetivamente desembolsados pelo governo federal até agora,
incluindo os chamados “restos a pagar” – dívidas de anos anteriores roladas para
exercícios seguintes. O montante representa 50% da quantia global autorizada no
OGU no período. Este ano, até o último dia 8, os R$ 10 bilhões investidos com a
quantia prevista no orçamento 2009 equivalem a 46% do total autorizado para o
exercício (R$ 21,9 bilhões).
Em 2007, primeiro ano do programa, a dotação orçamentária prevista foi
de R$ 16,6 bilhões, sendo que até dezembro daquele exercício foram investidos R$
7,3 bilhões, incluindo os restos a pagar. Isso porque algumas obras que foram
selecionadas no PAC já estavam em andamento anteriormente. O valor empenhado
(reservado para futuro pagamento) foi bem maior, R$ 16 bilhões (quase 100% do
total).
Já em 2008, o montante autorizado foi maior e melhor
aproveitado. Dos R$ 19 bilhões previstos, R$ 11,4 bilhões foram aplicados, ou
seja, 60% da dotação. Cerca de R$ 17 bilhões foram empenhados. Este ano, a
execução também não caminha velozmente. Faltando menos de três meses para
dezembro, pouco mais de R$ 10 bilhões foram desembolsados pelos órgãos federais,
dos R$ 22 bilhões autorizados no orçamento (veja tabela). A quantia
totaliza apenas 46% do previsto para o ano (R$ 21,9 bilhões). O empenho chega a
R$ 13,4 bilhões.
Os principais responsáveis por essas cifras são os
ministérios dos Transportes, Cidades e Integração Nacional. Principalmente em
função do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), os
Transportes investiram R$ 14,8 bilhões em empreendimentos do PAC desde 2007, ou
seja, 51% de toda a quantia desembolsada com o programa no período. Já a pasta
chefiada pelo ministro Márcio Fortes aplicou R$ 7,6 bilhões; a maioria no
programa de urbanização, regularização fundiária e integração de assentamentos
precários; enquanto o Ministério da Integração Nacional investiu R$ 3,2 bilhões
(veja
tabela).
Na comparação entre janeiro-setembro de 2009 e igual período
de 2008 e 2007, os montantes pago e empenhado este ano são superiores. Nos
primeiros nove meses de 2009, foram investidos R$ 9,4 bilhões e reservados R$
13,1 bilhões, enquanto no mesmo período de 2008 foram pagos R$ 8 bilhões e
comprometidos R$ 10,2 bilhões. Entre janeiro e setembro de 2007, primeiro ano do
PAC, o governo desembolsou R$ 3,9 bilhões e empenhou R$ 6,8 bilhões.
O
economista da Universidade de Brasília especializado em administração
pública José Matias Pereira acredita que o PAC anda bem em algumas áreas e
derrapa em outras, até pelos diferentes setores existentes. Segundo ele, as
obras em rodovias, por exemplo, apresentam problemas relacionados à falta de
projetos executivos de boa qualidade e número reduzido de pessoal qualificado
para fazer os trabalhos de acompanhamento. “Já aqueles projetos bem elaborados e tocados por
empresas de qualidade apresentam velocidade de execução superior. Como o
programa tem muitas situações distintas,esses detalhes geram um impacto no
resultado final”, afirma.
Para José Matias, o ideal é que o governo tenha
capacidade de gerir os empreendimentos do programa de forma uniforme e
estruturada. “Em 2010, por exemplo, ano eleitoral, as obras públicas, e não
apenas as do PAC, devem seguir os cronogramas estabelecidos e não devem ficar
sujeitas a vontades políticas. É inadequado acelerar uma obra a qualquer custo,
principalmente passando por cima de critérios técnicos”,
adverte.
8º Balanço do PAC
Na última
quinta-feira, em Brasília, a ministra Dilma Rousseff e parte da equipe econômica
do governo realizaram a cerimônia do 8º balanço do PAC, com números globais do
programa atualizados até agosto deste ano. Segundo a ministra, desde janeiro de
2007, as aplicações no PAC chegam a R$ 338,4 bilhões, o equivalente a 53% do
previsto para os quatro anos (R$ 646 bilhões). De acordo com a apresentação, as
ações concluídas totalizam R$ 210 bilhões, ou 33% do total.
Na divisão
dos investimentos, as estatais respondem por R$ 107,1 bilhões e o setor privado
contribuiu com R$ 83,6 bilhões, além do montante desembolsado do Orçamento Geral
da União. Os financiamentos ao setor público totalizam R$ 5,7 bilhões e os
empréstimos à pessoa física alcançam R$ 113,8 bilhões.
Este ano, segundo
o governo, foram aplicados R$ 98,5 bilhões no PAC. As estatais investiram R$
33,8 bilhões, o setor privado, R$ 83,6 bilhões, os financiamentos para a pessoa
física atingiram R$ 33,4 bilhões e para o setor público, R$ 2,7 bilhões.
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Leandro Kleber Do Contas Abertas
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13/10/2009 |
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